Às vésperas da chegada da seleção brasileira a Curitiba, administrador do estádio do Paraná Clube lamenta pouca procura por relógio tombado
Acima do escudo do Paraná, está o famoso relógio
Quando alguém lembrar a campanha da seleção brasileira na Copa de 2010, na África do Sul, será inevitável ignorar Curitiba, local onde na próxima sexta-feira o time de Dunga inicia a sua preparação. Mas a ligação da capital paranaense com o Mundial é mais antiga do que a maioria imagina (ou se recorda).
Há 60 anos, na Copa do Mundo de 1950, no Brasil, Curitiba foi uma das seis sedes, ao lado de Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo. Mais especificamente o estádio Durival Britto e Silva, a Vila Capanema, casa do Paraná Clube. Algo que antigamente era mais lembrado pela população local.
- A procura das pessoas por informações sobre a Copa do Mundo aqui era maior. Muitos estudantes vinham fazer trabalhos, visitar o relógio... Eram três ou quatro visitas por semana, algo que agora demora meses para acontecer. A história está esquecida – falou José Santos, administrador do estádio.
Como a fase final da Copa de 50 foi toda disputada no Rio de Janeiro e em São Paulo, Curitiba sediou apenas dois jogos da primeira fase. No dia 25 de junho daquele ano, a Espanha venceu os Estados Unidos por 3 a 1. Poucos depois, no dia 29, foi a vez de os paranaenses verem o empate por 2 a 2 entre Suécia e Paraguai.
Aos 73 anos, “Seu” José é o funcionário mais antigo do Paraná Clube. Não à toa costuma brincar que a sala onde trabalha, embaixo das numeradas, é a sua primeira casa. A segunda, no caso, é onde realmente vive. E cuidar do relógio citado acima é uma das funções do “chefe” da Vila Capanema.
É um patrimônio histórico. Quando foram modernizar o estádio ninguém mexeu nele. Está tombado – declarou José Santos, enquanto mexia na engrenagem do imponente relógio, visto de qualquer lugar do estádio.
“Seu” José costuma entrar na estrutura do relógio uma vez por semana, tempo que dura a corda dele. Caso contrário, ele para de funcionar. Recentemente, aliás, ele reclamou de prestadores de serviços que ousaram mexer na regulagem.
- Uns caras fizeram um serviço de fechadura aqui e mexeram no relógio. Outro dia, quando reparei, estava cinco minutos adiantado – esbravejou José.
Trem para a Copa
Paulista de Sorocaba, José Santos viveu também em Itararé-SP, Irati-PR e Ponta Grossa-PR. Era nessa última, a 110 quilômetros de Curitiba, que estava o administrador da Vila Capanema quando a Copa do Mundo de 1950 foi realizada no Brasil. Ele não foi até a capital para ver as partidas, mas lembra da comoção.
As pessoas juntavam dinheiro e se organizavam em grupos para viajar de trem aqui para Curitiba. Tinha bastante gente que fazia essa viagem, porque não tinha estrada boa naquela época. O jeito era o trem – contou José.
Em 2014, a capital paranaense será novamente sede da Copa do Mundo. Só que dessa vez com uma estrutura bem mais moderna. A Vila Capanema seguirá na história do Mundial, mas a partir de então com a companhia da Arena da Baixada, que será reformada para receber os jogos de mais um Mundial no Brasil.
Fonte - Globoesporte.com

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